(02-modulo2)= # Módulo 2: Treinamento e Adaptação (m2-treinamento-e-adaptacao)= ```{admonition} 🟢 Premissa :class: tip eph-box eph-box--premissa O treino é um estímulo que perturba o "equilíbrio" do corpo. A adaptação é a resposta a esse estímulo, onde o corpo se torna mais forte e resiliente. Entender como manipular as variáveis do treino é a chave para otimizar ganhos de força, hipertrofia e resistência. > > **Como navegar no módulo:** > - **🔵 Prático:** aplicações imediatas (tabelas, checklists e fluxos de decisão). > - **🟢 Definição:** fundamentos para falar a mesma língua do coach. > - **🔴 Técnico:** detalhes fisiológicos e códigos opcionais. > - **🟣 Evidências:** referências para auditar cada escolha de treino. ``` Para quem está começando, a ideia central é simples: **treino é um "dano controlado"**. Você aplica um estresse específico, o corpo se recupera e fica um pouco mais forte. A mágica está em escolher *qual* estresse, *quanto* estresse e dar o *tempo de reparo* necessário. Antes de copiar protocolos, o objetivo deste módulo é que você entenda o **porquê** por trás de cada escolha. :::{admonition} 🟢 Definição — Homeostase (em linguagem simples) :class: eph-box eph-box--definicao **Homeostase** é o estado de equilíbrio dinâmico do corpo — temperatura, pH e níveis de energia operando em sua zona de normalidade. O treino perturba esse equilíbrio de propósito. Em resposta, o corpo não apenas restaura o equilíbrio, mas o eleva a um novo patamar para que a mesma perturbação seja menos impactante no futuro. Pense assim: se você sempre usa a mesma carga, o corpo não vê motivo para se adaptar. Se você o desafia com um pouco mais, ele entende que precisa ficar mais forte para que essa tarefa se torne mais fácil. ::: --- (m2-variaveis-fundamentais)= ## 2.1 As Variáveis Fundamentais (O "Painel de Controle") **Treino é um conjunto de decisões mensuráveis.** O erro clássico é focar apenas na lista de exercícios (o "o quê") sem entender as variáveis que determinam o resultado (o "como"). Pense nas variáveis como um painel de controle. Cada ajuste na dose do estímulo altera a adaptação que o corpo prioriza. Para progredir de forma consistente, é crucial ajustar uma variável de cada vez e observar o efeito. | Variável | Principal efeito | Sinais de excesso | Correção imediata | |----------|-----------------|-------------------|-------------------| | **Volume** | Estímulo total para hipertrofia | DOMS prolongada, queda de reps | Remova 1-2 séries do grupo afetado por 1 semana | | **Intensidade** | Potência/neural | Técnica quebrando antes das reps previstas | Use RIR 2-3 por 2 sessões antes de subir carga | | **Frequência** | Número de gatilhos de síntese | Falta de tempo/treinos eternos | Divida o mesmo volume em mais sessões curtas | | **Descanso (densidade)** | Recuperação intra-sessão | Queimação precoce ou perda de carga | Adicione +60–90 s nos exercícios principais | | **Proximidade da falha** | Recrutamento de fibras | Falha todo dia e fadiga sistêmica | Trabalhe com RIR 1-3 e reserve falha para última série | (fig-training-control-panel)= ```{mermaid} :caption: "O treino como “painel de controle”: você mexe nas variáveis; o corpo responde com adaptações específicas." flowchart LR V["Variáveis do treino
volume • intensidade • frequência
descanso • proximidade da falha"] --> S["Estímulo
tensão • estresse metabólico
dano (dose)"] S --> A["Sinalização
mTOR • AMPK • cálcio
inflamação"] A --> O["Adaptação
força • hipertrofia
resistência"] style V fill:#334155,stroke:#e2e8f0,color:#f8fafc,stroke-width:2px style S fill:#334155,stroke:#e2e8f0,color:#f8fafc,stroke-width:2px style A fill:#334155,stroke:#e2e8f0,color:#f8fafc,stroke-width:2px style O fill:#334155,stroke:#e2e8f0,color:#f8fafc,stroke-width:2px ``` A seguir, vamos detalhar as variáveis mais importantes. ### 2.1.1 Volume (a dose total) :::{admonition} 🔵 Prático — Como controlar o volume :class: eph-box eph-box--pratico - **Ponto de partida:** Comece com 6-10 séries por grupo muscular por semana se for iniciante, e 10-16 se for intermediário. - **Progressão:** Adicione 1-2 séries a um exercício por semana e observe se a performance se mantém e a recuperação não é prejudicada. - **Registro Mínimo:** Anote séries, repetições e carga para conseguir comparar o progresso. ::: :::{admonition} 🟢 Definição — O que é volume? :class: eph-box eph-box--definicao **Volume** é a quantidade total de trabalho realizado, geralmente medido pelo número de séries efetivas (séries que chegam próximas à falha) por grupo muscular por semana. É a variável com a correlação mais forte com a hipertrofia. O segredo está no volume **efetivo**: séries que geram tensão mecânica suficiente para sinalizar adaptação. Uma série muito leve ou muito longe da falha conta pouco. ::: ````{dropdown} 🔴 Técnico — Volume "efetivo" e seus confundidores :class-container: warning eph-box eph-box--tecnico O conceito de "séries efetivas" é útil, mas a dose real do estímulo pode ser confundida por outras variáveis. Por exemplo, encurtar o descanso entre séries pode aumentar o estresse metabólico, mas forçar uma redução de carga ou repetições, alterando a tensão mecânica total. Para uma medida mais limpa do progresso do volume, é crucial padronizar o descanso, a cadência e a proximidade da falha (RIR). ```` ### 2.1.2 Intensidade e Proximidade da Falha :::{admonition} 🔵 Prático — Como usar a intensidade e a falha :class: eph-box eph-box--pratico - **Para força:** Priorize cargas altas (1-6 repetições), onde o esforço é máximo em poucas repetições. - **Para hipertrofia:** Use uma faixa de repetições mais ampla (6-15+), focando em chegar próximo à falha. - **Regra geral:** Mantenha a maioria das séries com 1 a 3 repetições na reserva (RIR 1-3). Falhar constantemente gera mais fadiga do que benefício. ::: :::{admonition} 🟢 Definição — Intensidade vs. Proximidade da Falha :class: eph-box eph-box--definicao **Intensidade** refere-se à carga utilizada, geralmente expressa como um percentual de uma repetição máxima (% de 1RM). Ela dita o número de repetições que você consegue fazer. **Proximidade da falha** (medida por RIR ou RPE) refere-se a quão perto do seu limite momentâneo você chega em uma série. Para hipertrofia, chegar perto da falha é crucial para recrutar o máximo de fibras musculares, independentemente da carga ser alta ou moderada. ::: ````{dropdown} 🔴 Técnico — RPE vs. RIR e suas limitações :class-container: warning eph-box eph-box--tecnico RPE (Escala de Esforço Percebido) e RIR (Repetições em Reserva) são ferramentas de autorregulação. RIR é mais direto ("quantas mais eu faria?"), enquanto RPE é uma escala de 1 a 10. Ambas são subjetivas e melhoram com a prática. A precisão diminui em séries muito longas (>20 reps) ou em exercícios novos e complexos. O critério de **falha técnica** (a incapacidade de manter a forma correta) é frequentemente um limite mais seguro e prático do que a falha muscular absoluta. ```` ### 2.1.3 Frequência :::{admonition} 🔵 Prático — Como organizar a frequência :class: eph-box eph-box--pratico - **Mínimo eficaz:** Treinar cada grupo muscular 2 vezes por semana é um ótimo ponto de partida para a maioria das pessoas. - **Use como ferramenta de gestão:** Se seus treinos estão muito longos e cansativos, divida o volume em mais dias na semana. - **Foco na sua agenda:** A melhor frequência é aquela que você consegue manter com consistência. ::: :::{admonition} 🟢 Definição — Por que a frequência importa? :class: eph-box eph-box--definicao **Frequência** é o número de vezes que você treina um grupo muscular por semana. Cada sessão de treino dispara a síntese de proteínas musculares (o processo de "construção") por cerca de 24 a 48 horas. Treinar com mais frequência permite que você ative esse processo mais vezes. Além disso, distribuir o volume em mais sessões permite manter uma melhor qualidade técnica, já que você chega em cada exercício com menos fadiga acumulada. ::: ````{dropdown} 🔴 Técnico — Curva S-R-A (Estímulo-Recuperação-Adaptação) :class-container: warning eph-box eph-box--tecnico A lógica da frequência se baseia na curva S-R-A. Após um estímulo, a performance cai (fadiga), depois se recupera e, se o estímulo foi adequado, se supercompensa (adaptação). Músculos grandes (como quadríceps) podem ter uma curva S-R-A mais longa do que músculos menores (como bíceps), que toleram frequências maiores. Iniciantes, em particular, se beneficiam de mais frequência para o aprendizado motor e consolidação da técnica. ```` ### ✅ Painel de decisão rápido - **Quero mais força:** aumente intensidade primeiro, mantenha volume controlado. - **Quero mais massa:** some séries efetivas, mantendo RIR 1-3. - **Quero mais fôlego:** adicione frequência (mais dias leves) antes de subir volume total. ### 2.1.4 Densidade (Descanso entre Séries) :::{admonition} 🔵 Prático — Quanto descansar entre as séries :class: eph-box eph-box--pratico - **Força e potência (1-5 reps):** 3 a 5 minutos. O objetivo é a recuperação neural para máxima performance na próxima série. - **Hipertrofia (6-15 reps):** 1 a 3 minutos. Um equilíbrio entre manter a carga alta e gerar algum estresse metabólico. - **Isolados e "pump" (>15 reps):** 45 a 90 segundos. Foco na sensação muscular e fadiga localizada. - **Regra de bolso:** Quanto mais pesado e complexo o exercício (ex: agachamento), mais longo o descanso. ::: :::{admonition} 🟢 Definição — O que é densidade? :class: eph-box eph-box--definicao **Densidade** é a relação entre o trabalho realizado e o tempo total do treino. Ela é inversamente proporcional ao descanso: menos descanso, maior a densidade. Descansos curtos geram mais "queimação" (estresse metabólico), mas geralmente forçam uma redução na carga ou nas repetições, o que pode comprometer a tensão mecânica. Descansos mais longos preservam a performance, permitindo que você levante mais peso e progrida com mais clareza. ::: ````{dropdown} 🔴 Técnico — Vias energéticas e descanso :class-container: warning eph-box eph-box--tecnico O descanso afeta diretamente a ressíntese de fosfocreatina (PCr), a fonte de energia primária para esforços de alta intensidade e curta duração. Cerca de 3 minutos de descanso são necessários para uma reposição quase completa da PCr. Descansos curtos (abaixo de 1 minuto) levam a uma maior dependência da glicólise anaeróbica, resultando em acúmulo de íons H⁺ e fosfato inorgânico (Pᵢ), que contribuem para a fadiga muscular e a queda de performance. ```` --- (m2-como-a-adaptacao-acontece)= ## 2.2 Como a adaptação acontece (o corpo não "melhora por acaso") :::{admonition} 🔵 Prático — “Treino + recuperação” é o pacote :class: eph-box eph-box--pratico - Se a performance cai por semanas, ajuste primeiro **sono**, **volume** e **descanso**. - Pense em ciclos: estímulo (treino) → recuperação (tempo) → repetição (consistência). ::: :::{admonition} 🟢 Definição — O corpo responde a sinais :class: eph-box eph-box--definicao Você não “melhora no treino”; você melhora porque o treino dispara sinais e a recuperação consolida a adaptação. Sem recuperar, você acumula perturbação (fadiga) sem converter em ganho. ::: ````{dropdown} 🔴 Técnico — mTOR/AMPK (um pouco mais fundo, sem virar aula) :class-container: warning eph-box eph-box--tecnico - {ref}`mTOR ` tende a ser favorecido quando há **tensão mecânica**, **aminoácidos** e energia suficiente. - {ref}`AMPK ` tende a aumentar quando há **estresse energético**. - No mundo real, o que manda é a **dose na semana** e o **quanto você consegue repetir** com qualidade. ```` ### 2.2.1 A lógica geral: estímulo → sinal → adaptação Você pode pensar em 3 etapas: 1. **Estímulo mecânico/metabólico** (tensão, alongamento, metabólitos) 2. **Sinalização celular** (vias como {ref}`mTOR `/{ref}`AMPK `, sensores de cálcio, etc.) 3. **Adaptação** (proteínas contráteis, mitocôndrias, capilares, coordenação neural) (fig-adaptation-pipeline)= ```{mermaid} :caption: "Pipeline de adaptação: o treino gera sinal; o corpo responde durante a recuperação." flowchart LR T["Treino
(estímulo)"] --> P["Perturbação
fadiga • dano"] P --> R["Recuperação
sono • proteína • tempo"] R --> G["Ganho
(adaptação)"] style T fill:#334155,stroke:#e2e8f0,color:#f8fafc,stroke-width:2px style P fill:#334155,stroke:#e2e8f0,color:#f8fafc,stroke-width:2px style R fill:#334155,stroke:#e2e8f0,color:#f8fafc,stroke-width:2px style G fill:#334155,stroke:#e2e8f0,color:#f8fafc,stroke-width:2px ``` :::{admonition} 🟢 Definição — Mecanotransdução :class: eph-box eph-box--definicao Processo pelo qual a célula converte estímulos mecânicos (tensão/alongamento) em sinais bioquímicos que alteram expressão gênica e síntese de proteínas. ::: ### 2.2.2 {ref}`mTOR ` (construção) vs {ref}`AMPK ` (energia) De forma didática: - **{ref}`mTOR `** tende a “autorizar construção” quando há estímulo mecânico e recursos. - **{ref}`AMPK `** tende a "priorizar economia e capacidade" quando há crise energética. Isso não significa que uma “proíbe” a outra sempre. Significa que o corpo **prioriza** o que parece mais necessário naquele contexto. :::{admonition} 🔵 Prático — Como evitar a confusão “{ref}`mTOR ` vs {ref}`AMPK `” :class: eph-box eph-box--pratico - Treino de força é ótimo para construir músculo, mas ele também gera estresse energético. - Endurance melhora capacidade, mas também pode atrapalhar força se você exagerar na dose. O segredo não é "evitar {ref}`AMPK `". O segredo é **dosar**: o que você faz mais, você melhora mais. ::: --- (m2-programacao-pratica)= ## 2.3 Programação prática (do papel para o treino) :::{admonition} 🔵 Prático — Parâmetros em ordem padrão :class: eph-box eph-box--pratico Quando você for “montar” ou ajustar um bloco, tente sempre pensar (e registrar) nesta ordem: - **Intensidade** → **reps** → **séries** → **descanso** → **frequência** ::: :::{admonition} 🟢 Definição — A ordem reduz “ruído” :class: eph-box eph-box--definicao Sem uma ordem fixa, você muda várias coisas ao mesmo tempo e perde a noção do que realmente melhorou (ou piorou) o treino. ::: | Objetivo principal | Primeira alavanca | Segunda alavanca | Sinal de ajuste | |--------------------|-------------------|------------------|-----------------| | **Força pura** | Intensidade (%1RM) alta com RIR baixo | Descanso longo (3-5 min) | Velocidade da barra caindo → reduza volume acessório | | **Hipertrofia** | Volume efetivo (séries próximas da falha) | Frequência 2-3x/sem por grupo | Perdeu reps? corte 1 série e revise sono (m3) | | **Endurance** | Frequência de estímulos oxidativos | Densidade (descansos menores) | FC de repouso muito alta → inclua semana leve | | **Tempo curto/agenda cheia** | Sessões mais curtas (full body) | Densidade moderada (supersets) | Se técnica cai, reintroduza descanso maior | ````{dropdown} 🔴 Técnico — Interferência (força + endurance) é “dose-dependente” :class-container: warning eph-box eph-box--tecnico O efeito interferência não é um “sim/não”; ele aumenta quando você coloca muito volume/intensidade de endurance sem recuperar, especialmente perto de treinos pesados de pernas. ```` ### 2.3.1 Força Força é altamente específica e tem um componente neural grande. Princípios: - Intensidade alta com boa técnica - Descanso suficiente - Progressão lenta e sustentável :::{admonition} 🔵 Prático — Exemplo simples (iniciante, 3×/semana) :class: eph-box eph-box--pratico - A: Agachamento 3×5 • Supino 3×5 • Remada 3×8 - B: Terra 2×5 • Desenvolvimento 3×6 • Barra fixa/pulldown 3×8 Alternar A/B por 8–12 semanas, subindo carga quando as reps “sobram”. ::: ### 2.3.2 Hipertrofia Hipertrofia responde bem a: - Volume adequado - Proximidade da falha bem gerida - Boa distribuição semanal :::{admonition} 🔵 Prático — Exemplo (Upper/Lower, 4×/semana) :class: eph-box eph-box--pratico - Upper 1: Supino 3×6–10 • Remada 3×8–12 • Desenvolvimento 3×8–12 • Bíceps/Tríceps 2×10–15 - Lower 1: Agachamento 3×6–10 • Terra romeno 3×8–12 • Leg press 2×10–15 • Panturrilha 2×10–15 - Upper 2: Inclinado 3×8–12 • Puxada 3×8–12 • Elevação lateral 3×12–20 • Braços 2×10–15 - Lower 2: Front squat/variação 3×6–10 • Hip thrust 3×8–12 • Flexora 2×10–15 • Panturrilha 2×10–15 Progrida com double progression (faixa de reps) e ajuste volume conforme recuperação. ::: ### 2.3.3 Resistência (endurance) Resistência é, em grande parte, sobre capacidade oxidativa e eficiência. :::{admonition} 🔵 Prático — Base simples (para leigos) :class: eph-box eph-box--pratico - 2–3 sessões semanais em intensidade leve/moderada (Z2) - 0–1 sessão intervalada (HIIT) se recuperar bem Consistência vence “heroísmo”. ::: ### 2.3.4 Concurrent training (força + endurance) Dá para combinar. O “efeito interferência” existe, mas depende de dose, ordem e recuperação. ::: {admonition} 🔵 Prático — Como minimizar interferência :class: eph-box eph-box--pratico - Se possível, separe as sessões (horas diferentes ou dias diferentes) - Evite colocar endurance pesado colado em treino pesado de pernas - Use endurance leve/moderado (zona 2) como base e dose HIIT com cuidado ::: --- (m2-autorregulacao)= ## 2.4 Autorregulação e progresso (como não travar) :::{admonition} 🔵 Prático — Autorregule sem complicar :class: eph-box eph-box--pratico - Use **RIR/RPE** para manter a maioria das séries em esforço “duro, mas repetível” (ex.: RIR 1–3). - Se a sessão piora semana após semana, ajuste **dose** (volume/densidade) antes de trocar tudo. ::: :::{admonition} 🟢 Definição — Consistência vence “picos” :class: eph-box eph-box--definicao O melhor programa é o que você consegue sustentar: a adaptação precisa de repetição do estímulo com recuperação suficiente para consolidar ganho. ::: ````{dropdown} 🔴 Técnico — RPE/RIR: limitações comuns (para não se enganar) :class-container: warning eph-box eph-box--tecnico - RPE/RIR são **estimativas**: melhoram com prática e com exercícios repetidos. - Para séries muito longas ou exercícios novos, o erro tende a aumentar. - Um bom critério é usar **falha técnica** (quando a técnica degrada) como limite prático. ```` Progresso real é o que você consegue sustentar por meses. - Se você progride rápido demais, você quebra. - Se progride devagar demais, você estagna. O melhor caminho é usar sinais simples: - performance na sessão - qualidade técnica - sono e apetite - dor persistente :::{admonition} 🟡 Aviso — O erro do “herói” :class: eph-box eph-box--aviso O treino que você “sobreviveu” não é necessariamente o treino que te faz melhorar. Consistência vence bravura. ::: :::{admonition} 🔵 Prático — Checklist rápido :class: eph-box eph-box--pratico - Você sabe qual variável está tentando melhorar? (volume, carga, técnica, frequência) - Você registra treino para conseguir progredir? - Você está treinando na dose que recupera? (sono, apetite, performance) - Você tem um plano simples por 8–12 semanas antes de “trocar tudo”? ::: --- ## 🟢 Resumo do Módulo 2 (em 10 linhas) 1. Treino é estresse controlado que perturba a homeostase. 2. O corpo se adapta ficando mais forte para lidar com esse estresse. 3. Variáveis do treino (volume, intensidade, frequência) determinam a adaptação. 4. Não existe “melhor” treino, existe treino adequado ao seu objetivo. 5. Progressão gradual é mais importante que intensidade extrema. 6. Cada variável afeta diferentes adaptações (força, hipertrofia, resistência). 7. O corpo não “pensa” em músculos, pensa em padrões de movimento. 8. Sobrecarga progressiva é o princípio fundamental de qualquer programa. 9. Descanso entre séries afeta a qualidade do estímulo. 10. Entender as variáveis permite personalizar seu treino com ciência. --- ````{dropdown} 🟣 Evidências do Módulo 2 :class-container: quote eph-box eph-box--evidencia - Schoenfeld BJ, et al. *Dose-response relationship between weekly resistance training volume and increases in muscle mass: a systematic review and meta-analysis*. - **PMID:** [27433992](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27433992/) - Baz-Valle E, et al. *A Systematic Review of The Effects of Different Resistance Training Volumes on Muscle Hypertrophy*. - **PMID:** [30250029](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30250029/) - Zourdos MC, et al. *Novel Resistance Training-Specific Rating of Perceived Exertion Scale Measuring Repetitions in Reserve*. - **PMID:** [26049792](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26049792/) - Schoenfeld BJ, et al. *Effects of Resistance Training Frequency on Measures of Muscle Hypertrophy: A systematic review and meta-analysis*. - **PMID:** [27102172](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27102172/) - Henselmans M, Schoenfeld BJ. *The Effect of Inter-Set Rest Intervals on Resistance Exercise-Induced Muscle Hypertrophy*. - **PMID:** [29481688](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29481688/) - Wilson JM, et al. *Concurrent training: a meta-analysis examining interference of aerobic and resistance exercises*. - **PMID:** [22002517](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22002517/) - Drummond MJ, Rasmussen BB. *Regulation of mTOR by amino acids and resistance exercise in skeletal muscle*. - **PMID:** [15702344](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/15702344/) ````